O Observatório do Ecossistema de Saúde do Brasil (OESB) é uma plataforma de produção, compilação e disseminação de conhecimento criada para promover e democratizar o debate público sobre as interfaces entre os setores público e privado na saúde por meio da publicação de estudos, textos educativos, artigos, sínteses, resumos, revisões, notícias e dados. Nosso propósito é servir como fonte de informação confiável e favorecer as trocas entre os diferentes atores envolvidos no tema e o público em geral.

Nosso trabalho parte de um diagnóstico: no Brasil, o SUS, os planos de saúde, os prestadores privados, a indústria e os próprios usuários estão profundamente conectados. Decisões tomadas em qualquer um desses espaços afetam diretamente os demais, seja no acesso a serviços, nos custos ou na qualidade do cuidado. Apesar disso, essas relações ainda são pouco compreendidas e raramente analisadas de forma integrada. O OESB existe para tornar essas interações mais visíveis e compreensíveis.

A iniciativa do OESB nasceu a partir do estudo Setor Privado e Relações Público-Privadas da Saúde no Brasil: Em Busca do Seguro Perdido, produzido em 2024 pelo IEPS e pela UMANE e com a participação de treze especialistas. Diante das lacunas de conhecimento e de evidências sobre como se dão as relações entre o Público e o Privado na saúde, o trabalho reuniu análises inéditas e destacou desafios relevantes para o sistema.

Dando prosseguimento ao trabalho iniciado com a pesquisa de 2024, o IEPS se uniu mais uma vez à UMANE para criar o OESB com o objetivo de fortalecer o sistema de saúde brasileiro, colaborando com a formulação de políticas públicas, a democratização do entendimento sobre as relações público-privadas na saúde e a qualificação do debate público sobre o tema.

O Observatório e o Ecossistema de Saúde

Os observatórios têm sua origem na astronomia, onde desempenhavam um papel essencial na observação e análise de fenômenos naturais. Com o passar do tempo, esses espaços evoluíram, ampliando sua atuação para atender às demandas de monitoramento e análise em áreas sociais, políticas e culturais. Essa transformação os consolidou como instrumentos estratégicos e multidisciplinares, permitindo sua aplicação além das ciências naturais. Hoje, os observatórios integram tecnologias e metodologias avançadas, atuando como ferramentas para promover transparência, acesso à informação e engajamento social.

Mas, o que seria o Ecossistema de Saúde do Brasil? Este conjunto de palavras foi escolhido pois busca abarcar a diversidade de atores e suas intrincadas relações na área da saúde brasileira, que guarda muitas especificidades em relação ao resto do mundo. Um ecossistema é definido como a interação de seres vivos entre si e com o meio ambiente no qual estão inseridos. Assim como nesse conceito, o sistema de saúde também opera de forma relacional e interdependente, seja porque os atores compartilham recursos (tais como profissionais de saúde, infraestrutura e financiamento), seja porque suas decisões estão profundamente interligadas.

O que chamamos de “Ecossistema de Saúde do Brasil” no Observatório é o conjunto de atores que compõem a saúde no Brasil e as relações entre eles. Isso inclui a rede pública de saúde sob gestão dos governos federal, estaduais e municipais, os órgãos reguladores, a indústria (farmacêutica, de equipamentos e insumos), as operadoras privadas, além de milhares de prestadores de serviço, como hospitais, clínicas, laboratórios e profissionais da área, e os próprios usuários do sistema.

Quem faz o OESB

O Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) é uma organização sem fins lucrativos, independente e apartidária. Seu objetivo é contribuir para o aprimoramento das políticas públicas para a saúde no Brasil, defendendo a ideia de que toda a população brasileira deva ter acesso à saúde de qualidade e que o uso de recursos e a regulação do sistema de saúde sejam os mais efetivos possíveis. O IEPS defende também que o acesso à saúde deve respeitar o princípio da equidade, tendo o Estado Brasileiro um papel relevante, de natureza distributiva, neste processo. Para alcançar esses objetivos, o caminho escolhido é o das políticas públicas baseadas em evidências, desenhadas, implementadas e monitoradas de maneira transparente – sempre buscando o apoio da sociedade.

A Umane é uma organização da sociedade civil, isenta e sem fins lucrativos, cujo propósito é fomentar a saúde pública de forma sistêmica, ampliando sua equidade, eficiência e qualidade para todos que vivem no Brasil. A Umane atua em parceria com diversas organizações do ecossistema de filantropia em saúde – implementadores, parceiros técnicos e de mídia, coinvestidores, poder público – e apoia iniciativas com potencial de escalabilidade e replicabilidade que integram os eixos programáticos da organização. Os programas estão interconectados e atuam de forma integrada para contribuir com a saúde pública.

Quem apoia o OESB

O NIHR (National Institute for Health and Care Research ou Instituto Nacional para Pesquisa em Saúde e Cuidado) é a instituição responsável pela pesquisa em saúde e assistência social do Reino Unido. O NIHR financia, viabiliza e realiza pesquisas de ponta em saúde e assistência social que melhoram a saúde e o bem-estar das pessoas e promovem o crescimento econômico, trabalha em parceria com o NHS (National Health Service ou Serviço Nacional de Saúde), universidades, governos locais, outras instituições financiadoras de pesquisa, pacientes e o público em geral. O Instituto, mantido pelo Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido, também é um dos principais financiadores de pesquisa aplicada em saúde em países de baixa e média renda, atividade apoiada majoritariamente por recursos de desenvolvimento internacional do governo britânico.