Financeirização, acumulação e mudanças patrimoniais em empresas e grupos econômicos do setor saúde no Brasil
Trabalho analisa a dimensão patrimonial de mudanças em empresas e grupos econômicos do setor de saúde no Brasil entre 2008 e 2017
Resumo
O estudo analisa a reestruturação patrimonial de 58 empresas e grupos do setor de saúde no Brasil entre 2008 e 2017, investigando como a financeirização moldou as estratégias de acumulação no período. Através de uma abordagem descritiva e exploratória, a pesquisa abrangeu operadoras de planos de saúde, farmácias, hospitais, centros de diagnóstico, indústrias e organizações sociais, mapeando mudanças em sua governança e estrutura de capital.
Os resultados revelam um avanço expressivo de investidores nacionais e estrangeiros, impulsionado por uma capitalização ativa que utiliza fusões, aquisições e a negociação de ativos para acelerar a valorização patrimonial. Embora o setor apresente grande heterogeneidade, observa-se uma tendência clara de integração das estruturas assistenciais aos circuitos financeiros globais. Em última análise, o setor de saúde brasileiro consolida-se como um elo da acumulação sob dominância financeira, transformando empresas em intermediárias periféricas de um processo global que redefine a dinâmica dos sistemas de saúde contemporâneos.
Artigo originalmente publicado em Cadernos de Saúde Pública, Volume 38 (2022), n. 14, Suplemento 2.
Autores: Leonardo Vidal Mattos; Elza Maria Cristina Laurentino de Carvalho; Diego Viegas Sato Barbosa; Ligia Bahia
Instituição: Instituto de Estudos em Saúde Coletiva, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
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