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Mapeamento e caracterização dos estabelecimentos geridos por organizações sociais de saúde no Brasil: construção da Base de Dados das Organizações Sociais de Saúde (BDOSS)

Estudo mapeia os estabelecimentos públicos de saúde no Brasil cuja gestão foi repassada para Organizações Sociais da Saúde

Resumo

As Organizações Sociais de Saúde (OSS) constituem parcerias público-privadas voltadas à gestão autônoma de prestadores de serviços de saúde. Emergindo das reformas administrativas e da redução do papel do Estado na década de 1990, tais organizações demonstraram sucesso relativo e expandiram-se por todo o território nacional. Contudo, o conhecimento consolidado acerca das OSS e dos estabelecimentos cuja gestão foi transferida permanece limitado pela ausência de uma base de dados oficial.

O presente estudo aborda essa lacuna por meio do mapeamento e da caracterização deste cenário, tendo como principal contribuição a expansão do levantamento de Barcelos et al. (2002), incorporando refinamentos metodológicos. A metodologia incluiu pesquisa manual em websites e centrais telefônicas de secretarias municipais e estaduais de saúde, além de pedidos via Lei de Acesso à Informação (LAI), complementados por dados compartilhados pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

A base de dados resultante, denominada BDOSS, abrange 1.874 estabelecimentos geridos por 158 OSS distintas, estando disponível em um portal eletrônico que permite tanto buscas diretas quanto a geração de estatísticas. Todos esses procedimentos foram monitorados e validados por meio de discussões técnicas com especialistas do Instituto Brasileiro de Organizações Sociais de Saúde (IBROSS).

A análise descritiva subsequente da BDOSS demonstra que apesar da presença disseminada em 21 estados e no Distrito Federal, a participação relativa de estabelecimentos geridos por OSS no total da rede ainda é baixa, com elevada concentração geográfica de contratos no estado de São Paulo. Os principais serviços prestados concentram-se na Atenção Primária. No segmento hospitalar — foco da segunda etapa do estudo — observa-se maior prevalência de OSS em unidades de médio e grande porte. Estabelecimentos sob gestão compartilhada apresentam maior volume médio de internações e taxas de ocupação com alocação de leitos mais eficiente, superando a média nacional.

Este artigo foi originalmente publicado pelo Cedeplar – UFMG

Autores: Mônica Viegas Andrade, Kenya Noronha, Catarina Barcelos, Henrique Bracarense

Instituição: Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) – Faculdade de Ciências Econômicas (Face) – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

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Aviso! Este é um estudo externo, selecionado para o repositório do Observatório do Ecossistema de Saúde do Brasil (OESB), e sua publicação não significa endosso integral. Os estudos desta categoria são filtrados com base em critérios temáticos e de qualidade, incluindo relevância substantiva para as relações público-privadas na saúde, desenho empírico, fontes de dados e métodos que podem ser devidamente checadas, ou em casos de anonimização, cujas fontes estejam ao menos indicadas.