Private health insurance, healthcare spending and utilization among older adults
Results from the Brazilian Longitudinal Study of Aging
Resumo
O Brasil possui um sistema nacional de saúde universal que coexiste com um setor privado suplementar utilizado por aproximadamente 30% da população. No Brasil, adultos mais velhos geralmente apresentam maior probabilidade de possuir um plano de saúde privado em comparação aos mais jovens, apesar de possuírem, em média, menor renda. Neste estudo, investigamos os efeitos da titularidade de planos de saúde privados sobre os gastos com saúde, a utilização e a qualidade do cuidado entre adultos brasileiros com 50 anos ou mais participantes do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil).
Os resultados demonstram que os gastos com saúde estão fortemente concentrados nos dois decis superiores de consumo; no entanto, as razões entre gastos diretos (out-of-pocket) e o consumo domiciliar são semelhantes entre indivíduos com cobertura pública (9,4%) e privada (10,4%). A utilização de serviços de saúde (consultas médicas) é ligeiramente superior entre os beneficiários de planos privados e está associada a gastos com saúde por consulta mais de quatro vezes superiores aos incorridos por idosos que utilizam o setor público. A maior utilização entre usuários de planos privados é atenuada e deixa de ser estatisticamente significativa uma vez que a endogeneidade da cobertura de saúde privada é tratada por meio de uma abordagem de variáveis instrumentais.
Embora não haja diferença perceptível na qualidade técnica do cuidado (mensurada pela presença de hipertensão não diagnosticada), uma medida da qualidade da prestação de serviços de saúde — focada na agilidade e em outros aspectos organizacionais da oferta de cuidados — é consistentemente superior entre aqueles com planos de saúde privados. Essa conveniência percebida acarreta um custo significativamente mais elevado para os indivíduos e para a sociedade, por meio do reembolso das mensalidades de planos de saúde via incentivos fiscais.
Estudo originalmente publicado em The Journal of the Economics of Ageing
Autores: James Macinko,Brayan V. Seixas,Cesar de Oliveira,Maria Fernanda Lima-Costa
Instituições:
- Department of Health Policy and Management, UCLA Fielding School of Public Health, Los Angeles, CA USA
- Department of Community Health Sciences, UCLA Fielding School of Public Health, Los Angeles, CA USA
- Department of Epidemiology & Public Health, University College, London, London, UK
- Fundação Oswaldo Cruz, Instituto René Rachou, Belo Horizonte, MG, Brazil
- Graduate Program in Public Health, Federal University of Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brazil
Este estudo pode ser acessado integralmente mediante pagamento em Sciencedirect.com
Aviso! Este é um estudo externo, selecionado para o repositório do Observatório do Ecossistema de Saúde do Brasil (OESB), e sua publicação não significa endosso integral. Os estudos desta categoria são filtrados com base em critérios temáticos e de qualidade, incluindo relevância substantiva para as relações público-privadas na saúde, desenho empírico, fontes de dados e métodos que podem ser devidamente checadas, ou em casos de anonimização, cujas fontes estejam ao menos indicadas.
Você pode gostar de:
Emenda Constitucional nº 29 de 2000
Portaria do Ministério da Saúde nº 825 de 2016
Lei nº 9.656 de 1998
Universalismo privatizante no sistema de saúde brasileiro e o Programa Agora Tem Especialistas